quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Sabendo ser a hora


Murmura suave o silêncio da tarde

como se a vida parasse por ali

naquele estar só um onde dois se encontram.

Algures deve ter cantado um pássaro

que lançou no ar as notas inaudíveis

arrepio sentido no corpo dos amantes

que se olharam na alma sabendo que era a hora.

E disseram a palavra inevitável

em todas as partidas impossíveis

alma plena olhando mãos vazias
aquele ser só um

sabendo ser a hora

Momentos roubados à vida. Parados para se manterem vivos. Nas memórias.

Aprendi que apesar dos tons cinzentos que me rodeiam, e dos sons da banalidade que me vão chegando, sou dono de um poder enorme que me faz viajar incólume para lugares só meus. Sítios que pinto com a paleta dos meus sonhos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Falta de inspiração

O Elevador é o espaço onde as mais animalescas vontades do homem se colocam à prova.
As pessoas são forçadas a entrar de uma forma intrusiva na esfera intima e pessoal do outro, ao ponto de lhe sentirem o hálito... o bafo!
No elevador não há fuga, o espaço que nos resguarda dos outros é agora comunitário, sentimo-nos invadidos, penetrados na nossa carcaça citadina, é duro...Mas a sublime prova do elevador não passa pelo conjunto, passa pelo elemento, pelo individuo.
Aquele momento unico em que entras no elevador no R/C e primes o botão do décimo. Entre ti e o teu destino estão 10 portas. Em qq uma delas podem entrar pessoas, para já estás só. A questão que começa a incendiar o teu ser é: largar ou não largar? Tudo pode acontecer... Se largares já as probabilidades de seres apanhado em flagrante diminuem porta a porta, nas últimas quase não se notará... Se demorares muito tempo a decidir podes acabar por largar já em cima de uma porta e... a seguir... quase de certeza vai entrar alguém! O jogo faz subir a adrenalina. Os resultados podem ser brutalmente melhorados se o elevador for de um prédio/serviços onde conheças muita gente. A segunda questão, que só terá importância se a largada for junto a uma porta é: largar com ou sem ruido? Não há duvida que largar com ruido, tipo rasgador, aumenta e muito o efeito relaxante e alimenta o ego, contudo dois riscos crescem exponencialmente: 1) ser detectado mais rapidamente, 2) poder manchar a toillete. O Elevador já começou a sua ascenção. A decisão tem que ser tomada, já...cada segundo representa uma eternidade... pensa, pensa, a vida é feita de riscos...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Sunrise

And while we lie she is alone
Wide eyed lonely and dreaming of home
There is nothing more that I can say
I Just close my eyes let you carry me away

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Barcelona


O momento da procura exerce a impulsão necessária sobre as minhas decisões, tal motorização imaginária que me faz sentir bem no desconhecido. Andando no espaço de calçada que conserva as histórias, vi que as ruas e artérias compreendem tal harmonia que dei comigo como parte de um puzzle, vasculhando as rugas e sinais do crescimento sentido. Não sei se saí, porque me sinto como se já tivesse voltado ou se pensei em sair mas engano-me dizendo que ainda lá estou.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

sexta-feira, 27 de abril de 2007

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Alentejo



Ora cá vai um daqueles ecos para dentro da alma, que repercorrem cada quina e aresta do nosso interior e como se não fosse motivo já desde si suficiente, lá permanece eternamente.
O Alentejo integra o meu atrás e aquilo que vejo em frente, sem nunca me sair da cabeça corrente, tal fusão de mar e terra unida em cada ser.


Deixa de ser indiferente.



Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza.
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente.
Encontra a própria liberdade.


Sophia de Mello Breyner Andresen (in Liberdade)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007


É CARNAVAL!!!

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Politica do Aborto ou Aborto da Politica?




Dia vinte e nove de Janeiro, por voltas das 23h emitia em directo o programa prós e contras soberbamente apresentado pela jornalista Fátima Campos no canal um, com o tema cujo levanta poeira em pleno alto mar, a despenalização e liberarização do aborto. Sim ou não?
Atenção, não se encare a tese com comodidade. O que não deixa de ser confuso, é a falta de objectividade e consistência dos convidados que à medida que eram de vez a vez portadores da palavra, diziam falar para o compreendimento dos portugueses que estavam a assistir (como cúmulo) e que nunca foram capazes de concretamente definir um cenário do sim ou não. Eu cheguei a ouvir desentendimentos por dizerem opção em vez de decisão…que revela e demonstra a opinião da maioria dos nossos conterrâneos (belo estratagema), mas será que aqueles senhores não entendem que quando falam num programa com um teor daqueles não estão numa assembleia da republica, onde até se fala do adultério das mulheres dos outros, vão lavar roupa suja como se quem fosse o ultimo a tagarelar fosse quem saísse vitorioso? São nestes políticos aos quais confiamos e asseguramos o futuro do nosso país? Crianças que se riem e enchem os bolsos ás nossas custas, cujo ideal e solução para todas as questões é o aumento dos impostos e nem tão pouco preocupados estão em exercer um pouco a função á qual foram concedidos e sair desta vergonha….
O triste ainda é quando se “associaram” á medida que o tempo ia passando, diziam que ali o colega é meu colega de partido como partilhando o fundo do mesmo tacho…e o espectador atento ficava de boca aberta com a falta de punho, inteligência e coerência daqueles senhores.
O aborto é uma opção consciente, conhecedora e informada da mulher. Ponto final. Ou será melhor passar num caixote do lixo e ver uma criança enrolada num saco de plástico ainda a respirar? Quando não existem circunstâncias mínimas para sustentar, cuidar assegurar, físicas, financeiras, psicológicas, anímicas, afectivas e reais, não será um beco ao qual se afunila o estado de consciência dela?
Definam então se o que iremos votar são dez semanas, dias ou meses. Porque estes portugueses que estavam em casa a ver, sabem que votam por uma melhoria de condição de vida e lutam por isso.

sábado, 6 de janeiro de 2007

O sindroma do movimento.


A evolução das nossas vidas (amor, carreira, familia, casa, carro ou mesmo compras no supermercado) acontece no momento em que fazemos as nossas escolhas. É uma questão de cultura, um voto de confiança. O nosso querer, a força que empregamos pra podermos "evoluir" por vezes ou quase sempre nos garante o caminho da mudança, a questão é como sabemos que a escolha é a certa? Como podemos saber se há um ano atrás estavamos mais burros, que estou mais feliz com aquela ou com aquele, qual é o amigo (a), parente, programa de tv, consciencia ou bom senso (se é que isso existe) que me aponta a direcção e diz que é a correcta? Olhando para dentro, vejo que é tudo utópico, eu não evolui por ter feito escolhas que este ou aquele acham a bem o ter feito, não chamo evolução quando a dimensão do nosso mundo se resume a um ordenado ou a um canudo...

Não sei o significado que cada um tem para isto. Para mim, evoluir é suceder no desconhecido.

Taxi driver


Se há pessoas com um carisma próprio, singular, poético, filósofo e psiquiátrico, excêntrico, sem pudores e autênticos políticos são os taxistas. Quantos já não "alugaram" a disponibilidade e presenciaram a sobre-natural forma de fácil diálogo desde o momento em que se entra na cabine do "olha pro taximetro" e comunicam com estes dinossauros contemporânios. Lembro-me da última, o veículo estava cheio, tal momento propício para um momento de auditoria do tema em causa:

-Lisboa é uma cidade expectacular nesta altura!

-Atiro-me com a questão, então mas conheçe muitas mais..? Porto,algarve...?

abriu-se espaço para uns dois minutos de reflexão (por parte do condutor, logicamente pensando...terei a ser gozado?)

-Paris! disse contentamente...
-Aii Paris, muitos taxistas portugueses n?
-Trabalhei lá sete anos e n conheçi um...
Pausa...
-Tive lá uma semana só encontrei um que não era português!